15 de set de 2012

[resenha] Percy Jackson e os Olimpianos - O Ladrão de Raios




Sinopse: Primeiro volume da saga Percy Jackson e os olimpianos, O ladrão de raios esteve entre os primeiros lugares na lista das séries mais vendidas do The New York Times. O autor conjuga lendas da mitologia grega com aventuras no século XXI. Nelas, os deuses do Olimpo continuam vivos, ainda se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos, como os heróis da Grécia antiga. Marcados pelo destino, eles dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.


O garoto-problema Percy Jackson é um deles. Tem experiências estranhas em que deuses e monstros mitológicos parecem saltar das páginas dos livros direto para a sua vida. Pior que isso: algumas dessas criaturas estão bastante irritadas. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos – jovens heróis modernos – terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão: precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que fúria dos deuses.


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Quando eu começo a ler um livro, principalmente uma sequência, costumo criar muitas expectativas a respeito da história. Com Percy Jackson não foi diferente. Confesso que demorei a começar a leitura dos livros porque, inicialmente, não senti muito interesse por eles, mas, bastou ler o primeiro, para eu perceber que se tratava de uma ótima história, com personagens bem descritos e uma trama de tirar o fôlego.

Rick Riordan, autor do livro, disse em uma entrevista que escreveu esta história depois de contá-la a seu filho durante várias noites antes de dormir e que muitas das características das personagens foram construídas para mostrar ao menino que, apesar das dificuldades, todos podemos vencer obstáculos e superarmos os nossos medos.

O filho do autor tem dislexia, problema também enfrentado por Percy Jackson e por seus amigos semideuses, que leem grego muito bem, mas apresentam sérios problemas quando o assunto é a própria língua.

Além da dislexia, Percy Jackson tem déficit de atenção e passou por muitas escolas na tentativa, quase desesperada, de se adaptar e este foi o primeiro ponto do livro que me fez parar para pensar. Quantas vezes o ser humano se anula na tentativa de ser o que a sociedade deseja dele ou ser o que a família quer que ele seja? A vida seria mais simples se a aceitação do outro como ele é, sem expectativas, fosse algo nato da sociedade, mas, infelizmente não é.

Em O Ladrão de Raios, Percy Jackson inicia sua intensa busca por respostas a respeito de sua vida e sobre o novo mundo que lhe foi apresentado. Com apenas 12 anos, ele descobre que o universo mitológico que aprendeu nos livros de história é bem real e, que se não aprender a lidar com ele, terá uma vida bem curta.

Para isso, ele precisa de treinamento e não existe melhor lugar do que o Acampamento Meio-Sangue. Percy chega ao acampamento confuso, abalado. Lá ele conhece outros adolescentes que são como ele, filhos de deuses com mortais, alguns, dispostos a morrer pelo Olimpo, outros, irritados com a condição de não conhecerem ou saberem quem realmente são os seus pais. Este é o caso de Luke, filho que Hermes jamais reconheceu. Embora o semideus aparenta ser alguém confiável e corajoso, no decorrer da história, aprendemos com Percy que, muitas vezes, as aparências podem enganar.

Além de descobrir que é um semideus e que existem monstros mitológicos dispostos a lhe matar na primeira oportunidade, Percy descobre também que o seu grande amigo, Groover, na verdade é um sátiro e que o seu professor de latim, Sr. Brunner, um imponente centauro, Quíron.

Para chegar ao acampamento, Percy enfrenta um Minotauro que está disposto a exterminá-lo. Ele consegue vencer a criatura, mas, vê sua mãe ser capturada e levada para as profundezas do Tártaro. Assim, começa a trajetória. Para resgatá-la, ele parte em uma aventura, que além de revelar segredos sobre a sua origem, lhe proporcionará novos conhecimentos sobre a sua vida de semideus.

Em sua rápida estada na Colina Meio-Sangue, ele descobre ser filho de Poseidon e que também está sendo acusado de ter roubado o raio de Zeus. Sem ter muita consciência do que enfrentará, Percy, em companhia de seu amigo protetor, Groover e de Ananbeth, uma jovem com imensa vontade de provar que tem capacidade para sobreviver fora dos limites do acampamento, partem rumo ao desconhecido e perigoso mundo mortal, repleto de armadilhas e monstros que só deuses e semideuses conseguem ver. Os seres humanos nãos os enxergam em sua forma real, estão ocupados demais com a própria vida, incapazes de perceber o estranho mundo que os rodeia.


“É gozado como os seres humanos são capazes de enrolar a sua mente em volta das coisas e encaixá-las na sua versão da realidade. Quíron me contara isso muito tempo atrás. Como de costume, eu só dei bola para sua sabedoria muito tempo depois.” Percy Jackson e o Ladrão de Raios (p. 344)


O tempo é escasso e Percy precisa provar a sua inocência descobrindo quem é o verdadeiro Ladrão de Raios. Entre erros e acertos, ele percebe que um grande mal se aproxima e Luke, seu amigo de acampamento, envolveu-se com uma força misteriosa e avassaladora, um caminho sem volta que pode condenar, não só a vida do filho ignorado de Hermes, mas também o Olimpo.

A escrita do livro é fantástica, tem ritmo e humor na medida certa. Trata-se de uma ótima história que te conduz pelos caminhos do medo, insegurança e angústia enfrentados pelo personagem central da trama. 

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